20081127

Super Princesas

É difícil encontrar alguma mulher que não tenha crescido ouvindo histórias de contos de fadas e que não tenha passado boa parte de sua infância (e quem sabe de sua vida) fantasiando sobre isso. Desde de sempre aprendemos a ser meninas princesas, mulheres delicadas, femininas, meigas... Isto é... Aprendíamos... Hoje continuamos ouvindo contos de fadas (ocasionalmente), só que mais do que seres delicados aprendemos a ser super mulheres, fortes, trabalhadoras, pró-ativas, femininas, etc, etc, etc.
Onde está a Terra da Fantasia? Quando o mundou se voltou contra as pessoas do sexo feminino e disse:_"hei, você é forte, consegue parir uma melância, você agora é o novo 'cherife'". Ninguém me perguntou se eu queria ser uma super heroína, se eu queria combater o terrível ócio feminino baseado em bordados e conversas fúteis... Apenas me jogaram afazeres, trabalho, estudo, responsabilidade. O engraçado é que eu gostaria que me jogassem o conto de fadas, mas não, disso eu tenho que correr atrás. Apenas inverteram a ordem das coisas, antigamente as mulheres tinham contos de fadas e corriam atrás de empregos e responsabilidades, hoje, temos a vida profissional, mas apenas poucas super mulheres conseguem encontrar o amor. Sinceramente, é mais fácil achar trabalho...

Ana Claudia F. Marinho

20081125

Tempo

Qual o conceito de tempo? Quem inventou o relógio? E como conseguiu? Alguém já reparou o quão relativo isso é? Quando se está atrasado para um compromisso, o transito sempre anda mais lento, os elevadores demoram décadas, as pessoas andam como lesmas... Ao contrário do que acontece quando se viaja para passar um final de semana na praia, por exemplo. Notaram como dois dias correm como se fossem duas horas? Quem estuda ou quem trabalha sabe quanto tempo demora uma aula ou uma reaunião, ínfimas três horas levam cerca de 13 dias para passar. E quem nunca namorou? Um dia inteiro passa em um míléssimo de segundo. Sendo assim, como é possível que alguém algum dia tenha conseguido cronometrar o tempo? Definir o que são segundos, minutos, horas, dias, anos... Como??? Creio que esta pessoa não viveu, nunca sorriu, não teve amigos, nunca viu o tempo passar correndo quando deveria esperar, ou se prolongar quando definitivamente deveria ter sido rápido. É como se a vida fosse uma grande viagem no tempo, ele voa e nós nada podemos fazer além de acompanhar e rezar para estar do lado certo, afinal, já dizia a máxima:_"tudo é relativo, depende de que lado da porta do banheiro você está!".


Ana Claudia F. Marinho

20081124

Pequenas Grandes Crianças



A sabedoria é nata? Lembro de certa vez que eu estava em uma crise existencial adolescente com meu sobrinho, que na época deveria ter mais ou menos 3 aninhos, sentado no meu cólo jogando no computador. Sem motivo (aparente) algum ele virou para trás, segurou meu rosto com suas mãozinhas e disse: "calma tia, isso vai passar".
Depois desse episódio comecei a reparar mais nesta pequena criaturinha que ilumina minha vida, seus gestos de carinho, suas palavras, suas "tiradinhas" infantis... Não é incrível a percepção de uma criança? Temos em mente que eles não sabem muito, que ainda têm muito o que aprender, mas esquecemos o quanto de sabedoria podemos assimilar deles. Não é absurda a máxima que diz "as crianças são o que há de mais precioso no mundo", pois elas são e demonstram isso a cada dia, a cada momento.
Quem nunca passou por uma situação onde pensou: "de onde ele tirou isso?" ou "como ele sabe disso?". Crianças são sábias por natureza, mas infelizmente acho que essa sapiência morre com o tempo... Triste da pessoa que deixa isso acontecer, pois se acontece, é porque a criança que existe dentro dela se foi também. Lógicamente pensando, não seria correto dizer: "sejamos sábios, vamos brincar no parquinho!". Acho que não, mas seria, pelo menos, uma boa diversão.


Ana Claudia F. Marinho

20081122

Caminhos...

Estava conversando recentemente com meu querido L e ele estava contando as historinhas engraçadinhas da filhinha dele de cinco ou seis aninhos. Ele falou que quando ela era menorzinha, quando eles iam atravessar a rua, ela dizia: "_homenzinho verde, podemos atravessar papaizinho" ou "homenzinho vermelho, temos que esperar". E até hoje ele brinca com ela, olhando ao redor para mirar algo e dizendo: "homenzinho cinza, podemos comer cimento" ou "homenzinho azul, vamos admirar o céu".
Fiquei pensando na quantidade de homenzinhos que são colocados em nossas vidas, nos dizendo se devemos ou não "atravessar". Qual homenzinho será que disse que curso deveria fazer na faculdade, ou o que fazer depois de terminá-la? Hoje, olhando para trás, vejo o quão mais fácil era a vida quando minha única preocupação era passar de ano... E que o auge desse estresse foi o vestibular. Meus piores receios eram sair para alguma balada e passar a noite sozinha... Se soubesse naquele tempo que o pior da vida não era passar de ano ou fazer uma faculdade... Se soubesse que o pior era o sair da faculdade sem eira nem beira...
Todos os dias algum homenzinho é colocado a minha frente me fazendo seguir ou não um caminho, tomar decisões que se refletirão em meu futuro e que, até que este futuro chegue, não faço a mínima idéia de para onde estou indo. Como é difícil atravessar essa rua da vida, não tem como saber o que tem do outro lado, o que te espera. Será que algum dia vou encontrar um homenzinho arco-íris que dirá: "_caminho colorido, você encontrou a felicidade suprema!". Não sei, até lá só resta esperar e seguir...

Ana Claudia F. Marinho

20081121

Quem não sente saudade da infância?!?!?!


Quem não lembra da infância? As brincadeiras, os amigos, os jogos... Todo aquele mundo onde a fantasia era Lei. Tudo parecia maior, mais colorido, lembra? Lembro da primeira vez que vi a casa onde morei até meus dois aninhos, mais ou menos, antes de mudar. Tinha vagas lembranças daquele lugar, lembro de ser gigantesco, da rampa da entrada ser tão íngreme que eu chegava a desequilibrar ao descer, mas mesmo assim descia correndo, sem limites. Tinha o mundo em minhas mãos, nada podia me deter ou machucar. E realmente, foi assim que cresci, ilesa, com meus devaneios infantis, com toda felicidade que uma criança poderia desejar e/ou ter. Vejo o reflexo disso tudo hoje em dia, me sinto uma mulher coerente, responsável, sádia mentalmente, mas sei que isso é fruto de um processo pelo qual todos passam (ou deveriam passar, pelo menos) que é o "ser criança". Hoje, adulta, vejo barbaridades acontecendo, crianças sendo abusadas, sendo trazidas à força para uma realidade absurda e incoerente por pessoas sem coração (ou sem alma, ou sem nada). Não sei você, mas eu não consigo fechar os olhos para isso, não consigo me ver alheia a esses fatos, imaginando o futuro dessas pequenas pessoinhas fábulosas tão maltradas por dentro e por fora. Pornografia infantil NÃO!!!

Ana Claudia F. Marinho